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Construção e Inauguração “Durante o reinado de Maria I e Pedro II secou-se um lago outrora pestífero e converteu-se em forma de passeio”.
(trecho de inscrição que existia no Chafariz das Marrecas, obra de Mestre Valentim)
A Lagoa do Boqueirão

A Lagoa do Boqueirão da Ajuda existia no local onde hoje está o Passeio Público
No local onde hoje se encontra o Passeio Público existiu, até o final do século XVIII, uma lagoa chamada de Boqueirão da Ajuda. Era a única na cidade, no período colonial, que desaguava no mar, além de impedir a ligação com o caminho do Engenho D'El Rei, que levava à Zona Sul.

Muitos cronistas da história do Rio se referem à lagoa do Boqueirão como um pântano pestilento, tal como Joaquim Manuel de Macedo: “É verdade que o Boqueirão da Ajuda oferecia uma vista magnífica, mas a lagoa que ali se encontrava era repugnante (...) Mostrava-se de feio aspecto, às vezes exalava um cheiro desagradável e, na opinião de muitos, passava por ser um foco de peste(...)” (1)

Assim como todas as lagoas do Rio, o Boqueirão da Ajuda era utilizado para o despejo dos dejetos da população. Devido à insalubridade da lagoa, toda aquela região era despovoada, conforme também relatou Joaquim Manuel de Macedo: “O lugar era desestimado; a povoação da cidade interrompia-se naquele ponto, onde apenas se viam três ou quatro humildes casinhas”. (2) Mesmo assim, o Boqueirão era usado para banho, como se observa na famosa tela de Leandro Joaquim, onde crianças se divertem na água, em meio a bois, que atravessam o charco.

Em meados do século XVIII, uma forte epidemia de gripe e febre atingiu grande parte da população carioca. O surto ficou popularmente conhecido como Zamparina, em referência a uma cantora italiana que morrera vítima da moléstia. Em pouco tempo, a expansão da epidemia na cidade foi atribuída aos miasmas provenientes da lagoa do Boqueirão.

O então vice-rei do Estado do Brasil, D. Luís de Vasconcelos, resolveu aterrar aquele charco, desobstruindo assim a ligação da cidade com a Zona Sul. Para ocupar aquele local, o vice-rei decidiu criar um jardim público, feito este considerado “o mais singular do ponto de vista urbanístico do Brasil do século XVIII”. (3)
Surge o Passeio Público

Mestre Valentim é o autor do projeto original do Passeio Público
A lagoa do Boqueirão foi aterrada com material proveniente do desmonte do pequeno Morro das Mangueiras, que se erguia onde hoje está a Rua Visconde de Maranguape, na Lapa. A tarefa de arrasar o morro, aterrar a lagoa e construir o jardim foi entregue ao Mestre Valentim da Fonseca e Silva, considerado o melhor escultor do Rio na época. Segundo o professor de História da Arte e História dos Jardins, Carlos Terra (Escola de Belas Artes/UFRJ), foi dada a incumbência a Valentim de criar um “jardim de prazer, isto é, um jardim público para servir à população da cidade”. (4)

O Passeio foi construído entre 1779 e 1783. Foi o primeiro jardim público da cidade e do país. Até então existiam apenas hortas e canteiros. Os jardins eram discretos e não públicos. "Não havia a cultura européia dos grandes jardins, que eram uma afirmação de poder da nobreza e da burguesia. É algo fora da nossa cultura" (5), explica o arquiteto Cláudio Taulois.

Para executar as obras foram selecionados vadios e detentos. Tal medida pode ser explicada pela falta de recursos provenientes da coroa, como registrou o vice-rei D. Luís de Vasconcelos no relatório das principais ações realizadas em sua administração:

“Seguiu meio termo de mandar para a Fortaleza da Ilha das Cobras todos esses vadios que se encontram em algum comisso, fazendo-os trabalhar nos seus officios; e passando o rendimento e producto das obras que se vendem, para um cofre que mandei estabelecer no calaboiço para se applicarem as importancias que ali se vão ajuntando, às obras públicas d’esta cidade”. (6)

No relatório, o vice-rei também citou a construção do Passeio Público, a única referência textual que se conhece deixada por ele sobre sua obra:

“Todos estes rendimentos, que se tem apurado por um methodo e escripturação abreviada, se tem consumido nas obras do passeio publico, a que as pequenas rendas da camara, e as poucas forças da fazenda real não podiam acudir”. (7)

O aterramento da lagoa do Boqueirão recuperou uma área equivalente a 20 hectares, provocando o povoamento daquela região e a abertura das ruas do Passeio e das Belas Noites (atual das Marrecas). Segundo alguns cronistas, o próprio Valentim teria delineado as ruas de acesso ao parque. Realizado o aterro, foi imediatamente construído um cais, para que as ondas do mar não invadissem o jardim. Mestre Valentim não trabalhou apenas como supervisor e autor da planta do Passeio, mas também confeccionou todas as peças de arte, inclusive as de metal, as primeiras fundidas no Brasil (ver Acervo Artístico).
O traçado de Mestre Valentim

O traçado de Valentim na planta da cidade do Rio de Janeiro, de Francisco Betancourt (1791)


O Passeio Original na planta da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, por C. Rivara, 1808
Mestre Valentim desenhou um jardim em estilo francês, totalmente plano, com ruas em linhas retas formando desenhos geométricos de tamanhos diversos. As duas ruas principais formavam uma cruz, com uma grande praça no centro. O jardim era fechado por um muro alto, com janelas e grades de ferro. Na entrada, dois pilares de pedra firmavam um vistoso portão. No interior foram instaladas mesas e bancos para uso público.

Segundo a descrição de Joaquim Manuel de Macedo, o Passeio “tinha, de frente, na rua do seu mesmo nome, cerca de oitenta e seis braças, e de fundo, do portão de entrada até o gradil do terraço, dando sobre o mar, setenta e quatro braças e sete palmos”. (8)

No fundo do jardim, quatro escadas de pedra levavam a um belvedere, que se debruçava sobre a baía da Guanabara. O belvedere, ou terraço, possuía cerca de 10m de largura e tinha piso de mármore policromado. Junto ao parapeito, Valentim construiu sofás de alvenaria, revestidos por azulejos de inspiração mourisca. O terraço era cercado por uma balaustrada de bronze e contava com uma iluminação especial, fornecida por lampiões de óleo de peixe.

Quanto à planta, o Passeio foi classificado como hexágono irregular ou trapeizodal. O arquiteto Cláudio Taulois explica que o Passeio tem uma forma totalmente irregular: “É um trapézio, uma forma pouco clássica, inclusive chamado de símbolo do fracasso. As formas consideradas certas para aquela época eram o quadrado, o círculo, o retângulo e o octógono. O trapézio era muito incomum, só aparecendo quando gerava um octógono”. (9)

No Passeio dos tempos de Valentim foram plantadas espécies vegetais diversas como mangueiras, oitizeiros, palmeiras, amendoeiras e até uma araucária. Para José Mariano Filho, fundador do Instituto dos Arquitetos do Brasil, o Passeio foi, como seria depois o Jardim Botânico, “um campo de aclimação de espécies vegetais exóticas. A Flora do Brasil era pouco conhecida e os vice-reis queriam a todo transe introduzir aqui as especiarias asiáticas.” (10)
Os significados do Passeio Público

O pórtico do Passeio em 1835, numa gravura de Karl Von Theremin


A planta trapezoidal do Passeio e o eixo com a Rua das Marrecas em desenho de Cláudio Taulois
O Passeio Público foi a primeira área urbanizada do Rio de Janeiro. Para a historiadora de arte Anna Maria Monteiro de Carvalho, estava embutido no parque o conceito iluminista de saúde pública, segundo o qual devia-se dar ar puro e luz à população: “O modelo escolhido foi um dos mais representativos do ideal de civilidade instituído nas modernas cidades européias da época: um monumental jardim público, como sinônimo de bom gosto, luxo e entretenimento – uma expressão da natureza dominada pela razão do homem - , ao qual se opunha um imponente chafariz para utilização popular”. (11)

A criação do jardim pode ser considerada o primeiro ato em prol da salubridade do Rio, antecipando em um século os ideais higienistas do período Pereira Passos.

A historiadora Anna Maria chama o Passeio de jardim cortesão, que predominavam nas residências palacianas européias dos séculos XVI, XVII e XVIII, principalmente na França: “Organizados segundo a estética do barroco, esses jardins compunham-se de canteiros e aléias ordenados num traçado geométrico em que predominava a linha reta, e submetidos a um eixo central cujo foco era, evidentemente, o palácio, e o ponto de fuga, em geral, um esplêndido panorama que ampliava os horizontes da propriedade e o olhar do dono”. (12)

No caso do jardim carioca, o eixo tinha dois extremos: o Chafariz das Marrecas, erguido em 1785, e o conjunto escultórico da Fonte dos Amores, que se encontrava no final do Passeio. O “passeante” faria um percurso desde o primeiro chafariz, descendo a Rua das Marrecas por uma reta, ultrapassando em seguida os portões do Passeio, onde, cercado pela vegetação, caminharia até o extremo do parque. Lá, seria revelada a surpresa final escondida pelo Chafariz dos Jacarés: o acesso ao terraço de onde se tinha deslumbrante vista do mar.

O arquiteto e professor Hugo Segawa, autor de "Ao Amor do Público: Jardins no Brasil", considera “surpreendente, em plena vigência do colonialismo português, o vice-rei do Brasil ter-se proposto a construir um jardim público, à maneira dos recintos existentes na Europa”. (13)

Em entrevista à revista eletrônica Mais Passeio, Segawa declarou que o parque construído por Valentim encerrava um duplo espetáculo da natureza: “De um lado, a vegetação exuberante, produto da ação humana como que a tentar criar e controlar uma natureza própria, humanizada ou idealizada. De outro, o deslumbrante horizonte da baía da Guanabara, uma dádiva divina fora do alcance e da manipulação humana”. (14)

Também em entrevista à Mais Passeio, o arquiteto e professor assistente da FAU/UFRJ Naylor Barbosa Villas-Boas aponta que a iniciativa inédita de criar um jardim para usufruto da população refletia na colônia os ecos do Iluminismo que despontava na Europa: “Essa maneira de ver o mundo, baseada no racionalismo, inaugurava também uma nova relação do homem com a natureza. Esta já não era mais fonte de temores, mas sim de conhecimento, que se apresentava ao homem de certa maneira virgem e pouco compreendida. E é no Passeio Público que se materializa paisagística, arquitetônica e urbanisticamente, pela primeira vez no Brasil, esta maneira de entender o mundo”. (15)

Alguns historiadores afirmam que o Passeio Público do Rio de Janeiro teria sido inspirado em seu congênere lisboeta. Para Anna Maria Monteiro de Carvalho, o parque de Valentim aproximava-se mais do gosto aristocrático dos jardins do Palácio de Queluz do que do Passeio Público de Lisboa.

Em dissertação de Mestrado, o arquiteto Cláudio Taulois defendeu recentemente a hipótese de que o Passeio teria sido inspirado em outros jardins portugueses, como o Jardim do Cerco, do Convento de Mafra, e o Jardim do Palácio dos Marqueses da Fronteira, em Benfica, Lisboa (ver século XXI).
Os primeiros anos

O Passeio na aquarela de Thomas Ender, 1818


Na maquete eletrônica elaborada por Naylor Barbosa Villas-Boas
vemos uma reconstrução digital do traçado de Mestre Valentim
A criação do Passeio valorizou aquela região. Em pouco tempo o jardim se tornou o grande ponto de encontro da sociedade setecentista do Rio de Janeiro. Ali as famílias faziam o footing, em meio a rodas de modinhas, lundus, cantigas e leitura de versos, como confirmou Machado de Assis em crônica no A Semana em 1895: “Sabeis também que o povo levava a guitarra, a viola, a cantiga, e provavelmente o namoro”. (16)

Em 1786, aconteceram no Passeio grandes festas em comemoração ao casamento de D. João VI e Carlota Joaquina. Nos dias 2 a 4 de fevereiro e 28 de maio daquele ano, deram-se no jardim carioca, segundo o relato do Padre Perereca, “magníficas festas nas quais tanto brilhou o bom gosto, a ordem, a pompa, como a atividade de zelo, e direção daquele ilustre vice-rei”. 17 As festividades contaram com a participação de seis carros alegóricos, projetados por Antônio Francisco Soares, representando Vulcano, Júpiter, Baco, Mouros, Cavalhadas sérias e Cavalhadas burlescas.

Em 1792 são feitas as primeiras descrições do Passeio Público, registradas por Lorde George Macartney e John Barrow, ambos integrantes de uma missão diplomática inglesa que se dirigia à China. Em 30 de novembro daquele ano, a frota, composta por três embarcações, alcançou a baía de Guanabara. Os representantes de sua majestade britânica foram recebidos pelo vice-rei Conde de Rezende e permaneceram no Rio por duas semanas. Um dos locais que os viajantes visitaram foi o Passeio Público, do qual relataram suas impressões (ver descrições).
Leandro Joaquim

Tela de "N.S. da Boa Morte"
O autor dos painéis do Passeio Público é considerado um dos maiores nomes da Escola de Pintura Colonial Fluminense. Leandro Joaquim nasceu em c.1738 no interior da capitania do Rio de Janeiro. Pintor e arquiteto, Joaquim colaborou com Mestre Valentim na reconstrução do Recolhimento de N.S.do Parto.

Leandro Joaquim foi também cenógrafo e decorador do Teatro de Manuel Luís; e o pintor preferido do vice-rei d.Luís de Vasconcelos. O artista é autor da tela N.S.de Belém, que se encontra na Igreja de São Sebastião, na Tijuca. Joaquim fez trabalhos também para a Igreja de N.S.do Parto, dados como desaparecidos.

Segundo Moreira de Azevedo, Joaquim contraiu a moléstia conhecida como Zamparina, o que lhe causou paralisia. O artista teria feito uma promessa à Nossa Senhora da Boa Morte, e, recuperando-se, executou um painel da santa para a Igreja de N.S.da Conceição e Boa Morte, situada na esquina das ruas Buenos Aires e Rio Branco. O artista faleceria em cerca de 1798.

Leandro Joaquim também é apontado como autor de dois painéis retratando o incêndio e a reconstrução do Recolhimento de N.S.do Parto, que hoje fazem parte do acervo do Museu de Arte Sacra da Catedral Metropolitana do RJ. No entanto, há uma controvérsia em relação a esses paínéis no que diz respeito à criação original da obra. As telas atribuídas à Leandro Joaquim eram idênticas às feitas por João Francisco Muzzi por volta de 1789. Para alguns pesquisadores, Leandro Joaquim teria copiado ou utilizado os quadros de Muzzi para compôr suas telas. Outros já acham que Joaquim não teria atuado como copista, pois em suas obras teria movimentado figuras, criado novos elementos e grupos; e modificado outros. Os quadros de Muzzi são retangulares, pintados a óleo e possuem 100 X 124 cm. Os de Joaquim são elipsoidais, pintados a óleo e com inscrições contendo informações sobre as obras nas próprias molduras.

As duas telas de Leandro Joaquim, de propriedade da Arquidiocese do Rio de Janeiro, são tombadas pelo INEPAC. As telas de Muzzi podem ser vistas no Museu da Chácara do Céu, que integra a Fundação Castro Maya.

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D. Luís de Vasconcelos
O protetor de Mestre Valentim, o vice-rei d.Luís de Vasconcelos e Sousa, nasceu em Lisboa em 1740. Era filho do primeiro marquês de Castelo Melhor. Formou-se em Cânones pela Universidade de Coimbra e trabalhou como desembargador da Relação do Porto e da Casa de Suplicação, além de desembargador do Paço e vereador do Senado em Lisboa. Em 1778, foi nomeado vice-rei do Brasil, cargo que ocupou por onze anos. Chegou ao Rio de Janeiro em março de 1779, tomando posse no dia cinco de abril do mesmo ano. Seu governo foi marcado por obras consideráveis de melhoramentos e embelezamento da cidade, que contava na época com cerca de 55 mil habitantes. D.Luís aterrou o Campo da Lampadosa, reedificou a Casa da Alfândega e iniciou os trabalhos de aterramento do Campo de São Domingos. O vice-rei patrocinou também as pesquisas de Botânica de frei José Mariano da Conceição Veloso e desenvolveu o abastecimento d'água da cidade. Quando volta a Portugal, d.Luís assume a presidência da Mesa do Desembargo do Paço e em seguida, é nomeado presidente do Real Erário e da Inspetoria Geral das Obras Públicas. Foi agraciado com a Ordem de Santiago e em 1818, recebe o título de Conde de Figueiró.

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Mestre Valentim

Mestre Valentim
Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, nasceu em Minas Gerais, mas realizou toda sua obra no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII. Assim como o mineiro Aleijadinho, era bastardo, filho de mãe escrava, mestiço e morreu na extrema miséria.

Valentim viveu os últimos anos do Rio de Janeiro enquanto sede do vice-reinado. O artista teve papel fundamental no desenvolvimento da cidade naquele período, construindo chafarizes e fontes que abasteciam de água a população carioca e as embarcações que ancoravam no cais do Rio. Sua obra divide-se em escultura, torêutica, arquitetura, paisagismo, urbanismo, prataria, ourivesaria, bronzagem e desenho. Valentim se notabilizou pelo traço rococó, deixando uma expressiva produção em igrejas e capelas do Rio de Janeiro, assim como em praças e espaços públicos. O artista também realizou a primeira escultura em metal do Brasil - as estátuas de Eco e Narciso.

Nascido em 1745, provavelmente no distrito diamantino de Vila do Príncipe (atual município do Serro), Valentim foi levado ainda criança pelo pai para Portugal, onde iniciou seus estudos de escultura. Em c.1765, após a morte do pai, ele volta para o Brasil em companhia da mãe, radicando-se no Rio de Janeiro. Em 1772, Valentim executa um de seus primeiros trabalhos na cidade: a talha da Igreja da Ordem Terceira do Carmo (av.Primeiro de Março) e da Capela do Noviciado.

A obra de Valentim ganha impulso após a nomeação de d.Luís de Vasconcelos como vice-rei do Brasil, em 1778. Neste período, o artista executou grande parte de seus trabalhos, como os chafarizes da Pirâmide (Praça XV), das Saracuras (atualmente na Pça.Gen.Osório, em Ipanema), das Marrecas (demolido) e do Lagarto (atribuído), além de trabalhos nas igrejas de São Francisco de Paula, Santa Cruz dos Militares, N.S.da Conceição e Boa Morte, Mosteiro de São Bento e São Pedro dos Clérigos. Em 1789, Valentim trabalhou na reconstrução do Recolhimento de N.S.do Parto, destruído por um violento incêndio.

No dia primeiro de março de 1813, Valentim morre em sua casa, na Rua do Sabão, onde também funcionava sua oficina. O artista é enterrado na Igreja de N.S.do Rosário e São Benedito, da qual era membro. Em 1856 é lançada a primeira biografia do Mestre, realizada por Manuel de Araújo Porto-Alegre, para a Revista do IHGB. Em 1938 são tombadas pela SPHAN várias obras do artista, incluindo o Passeio Público.

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Rua do Passeio

Rua do Passeio (AGCRJ)
A Rua do Passeio chamou-se anteriormente de Caminho da Carioca, Ilharga da Ajuda, Caminho para o Boqueirão e Caminho para o Passeio Público. O nome da rua foi mudado duas vezes para Joaquim Nabuco, até que em 1917 o nome consagrado popularmente foi retomado. Em 1908, os primeiros ônibus a motor na cidade fizeram ponto na Rua do Passeio.

Quando a corte chegou ao Brasil, em 1808, vários moradores da Rua do Passeio tiveram que deixar suas casas para abrigar os fidalgos e nobres portugueses. Ali viveram nomes ilustres, como Antonio de Araújo de Azevedo, o Conde da Barca, mentor da Missão Francesa; o Marquês de Vallada; o Barão de Mesquita, o Barão de Barbacena e o Visconde do Rio Comprido. Na Rua das Marrecas, fronteira à entrada do parque, morava d.Fernando José de Portugal e Castro, ministro e secretário de Estado de d.João VI.

Na Rua do Passeio também funcionaram a sede antiga da Biblioteca Nacional, o Cassino Fluminense (atual Automóvel Clube do Brasil) e a Secretaria de Justiça. Na casa do Conde da Barca funcionou, no pavimento térreo, a Impressão Régia, fundada em 1808 e dirigida pelo Frei Tibúrcio da Rocha. Dali saiu o primeiro periódico rodado e feito no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro. Naquela casa, situada onde hoje está o cinema Metro, também funcionaram a Secretaria do Império, a Academia Nacional de Medicina e o Pedagogium, onde se ministrava um curso suplementar para professores.

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Passeio Público de Lisboa

A Av.da Liberdade se estende onde existia o Passeio Público de Lisboa
O Passeio Público de Lisboa foi projetado em 1764 por Reinaldo Manuel, sucessor de Carlos Mardel na Casa do Risco das Obras Públicas. O parque, em estilo romântico, estendia-se desde a área da atual Praça dos Restauradores até a Praça da Alegria. Em meados do século XIX, o Passeio era o principal ponto de encontro dos lisboetas. Ali eram realizadas festas, bailes e concertos. O parque foi destruído em 1879, para a abertura da Avenida da Liberdade. Do antigo acervo do Passeio de Lisboa sobreviveram apenas as estátuas que representam os rios Tejo e Douro, obras de Alexandre Gomes.

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NOTAS
1. Joaquim Manuel de MACEDO. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. RJ: Livraria Garnier, 1991. p.53.
2. MACEDO. op. cit. p. 54.
3. Hugo SEGAWA. Ao Amor do Público: Jardins no Brasil. SP: Studio Nobel/Fapesp, 1996. p.77.
4. Carlos TERRA. Os Jardins no Brasil no século XIX: Glaziou revisitado. RJ: EBA/UFRJ, 2000. p. 42.
5. Claudio TAULOIS. “A Esfinge Carioca”. Mais Passeio - Ano 2 - Nº 21 - dezembro de 2003.
6. “Relatório do vice-rei do estado do Brasil Luiz de Vasconcellos ao entregar o governo ao seu sucessor o conde de Resende”. Revista do Instituto Histórico, Geographico e Ethnographico do Brasil. RJ: 1860. p.235-236.
7. VASCONCELOS, D.LUÍS, op. cit. p.183.
8. MACEDO, op. cit. p.61.
9. TAULOIS. op. cit.
10. José MARIANO FILHO. O Passeio Público do Rio de Janeiro. RJ: C.Mendes Júnior, 1943.
11. Anna Maria MONTEIRO DE CARVALHO. Mestre Valentim. SP: Cosac & Naïf, 1999. p.15.
12. MONTEIRO DE CARVALHO, op. cit. p.16.
13. SEGAWA, op.cit. p.77.
14. Hugo SEGAWA. "O Passeio Público continua sendo o jardim mais importante do urbanismo colonial brasileiro". Mais Passeio - Ano 2 - Nº 13 - abril de 2003.
15. Naylor Barbosa VILLAS-BOAS. Entrevista à Mais Passeio - Ano 1 - Nº 3 - junho de 2002.
16. Miécio TÁTI. O mundo de Machado de Assis. RJ: Prefeitura do RJ, 1991.
17. Luiz Gonçalves dos SANTOS. Memórias para servir à história do Reino do Brasil. RJ: Zeelio Valverde, 1943. p.38.
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